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"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?" (Fernando Pessoa)

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Textos em Verso e Poemas (Pequena Reflexão)

Hoje, mais uma vez escrevi um versinho no Facebook. Há um tempo atrás, eu ficaria receoso de fazer isso. Mas terei medo de que? Que alguém registre meus versos?

Bom, quanto a isso estou mais seguro desde o dia que pesquisei sobre o assunto, e descobri que postagens na web podem ser usadas como prova de autoria...

Mas e daí, o quê isso me importa?
Parafraseando Cecília Meireles
"Escrevo porque o instante existe."
Tenho meus poemas guardados loucos para nascerem em um livro, e este momento chegará. Só que, o faço on line é resultado do on-line. Não é meu. Se ali escrevi, passa a ser público.


Não quero direito autoral, e até acho essa concepção um pouco equivocada em certos pontos: "direito a propriedade intelectual..." o que isso quer dizer exatamente? Se escrevo um poema inspirado em um livro, quem tem mais direito a tal "propriedade intelectual"?
Não sei dizer até que ponto o que escrevo é meu. Mas isso não é uma questão de autoria apenas. Trata-se de mercado. Não considero arte um trabalho, mas uma benção. O artista recebe uma espécie de concessão divina, ou da natureza, ou da lógica binária do universo. Ele não é especial, é diferente. Eu penso que não se deveria viver de arte porque quem o é, por essência, pode fazer qualquer coisa da vida, e nem por isso deixa de ser artísta. A grande maioria dos grandes poetas não tinha sua arte como atividade principal. Eles não escreviam porque queriam ou porque decidiram que o fariam. Escrever acontece, e pronto. Se você não atende ao que chama de "inspiração", sua vida impaca! Essa é uma necessidade da alma, uma obrigação, mas não deve ser entendida como um meio de vida. Tudo que vem de nós veio antes do mundo. A poesia é antes de tudo uma sintetização, como diz a música do Biquini Cavadão:


"Eu sou a soma de tudo que vejo." (Meu Reino)


Cada um entende a arte como queira, eu vejo desta maneira, e outra coisa que me chama atenção neste nosso mundo "pseudo-pós-moderno" (ou sei lá como os teoricos queiram definí-lo) é o fato de que qualquer um se auto-afirme como artista. Acho muito deselegante essa atitude em algumas pessoas. Por isso deixo bem clara minha opinião: não é porque alguém escreve versos que será considerado poeta; não porque canta que terá requisitos para ser um ídolo da música; não é porque faz bico na "Malhação" que pode ser chamado de ator!!!


Existem alguns fatores a se pensar. Como disse Antônio Cândido, existe uma lógica para se definir algo como Literatura ou não, e acredito que isso se aplique às artes como um todo:


Autor - Obra - Público


Sem o aval do público nenhuma produção pode ser considerada Obra. Todo verso que escrevo é uma tentativa de poesia. Por isso que eu não considero o que posto por ai no calor do momento como poemas meus. São textos escritos em forma de verso. Aguardo o feedback de quem os leia, e sei de quem esperar opiniões sinceras e não meros elogios, pois para muita gente, por admirarem um determinado artísta, ou por terem uma relação de amizade ou de afetividade (ou até por não entenderem nada de poesia ou não terem se envolvido com tal poema) é muito fácil dizer: "Gostei". Não se gosta de um poema. Ou a gente se envolve com ele, ou ele não passa de um texto. Essa relação é muito pessoal. Quem pode dizer que tal ou tal poema ou música é melhor do que determinados outros.


Falando em música, existe um outro ponto que reflete nossa pobreza musical atual. Nessa lógica do Antônio Cândido (pelo menos até onde li, e me lembro neste momento), não existe o fator mídia! Hoje em dia tem sido difícil para mim ouvir rádio, principalmente porque as pessoas em geral não tem um esclarecimento pessoal sobre seus gostos musicais. A maioria das pessoas ouve aquilo que está na moda, e isso é um reflexo de uma imaturidade ou falta de consciência sobre si mesmas. O mercado vive disso. Somos vira-latas musicais e lambemos qualquer lavagem que nos atirem nos ouvidos para podemos ser aceitos de alguma maneira. E essa aceitação não é a aceitação dos outros, mas de nós mesmos. Em muitos pontos de nossas vidas nos vemos sem um local no mundo porque não somos capazes de localizar em nós mesmos quais são nossas verdadeiras necessidades, e assim, sabemos que há um vazio. Por isso tentamos supri-lo com o que aparecer para ocupar tal espaço. E é por isso que sofremos, pois sempre buscamos algo novo para substituir o que não funciona.


A verdade não está lá fora!!!
Talvez eu me contradiga quando me defino como poeta, mas se o faço, é porque muita gente safa já me definiu assim, e foi com está consciência que me aceitei como poeta. Porém, tenho plena certeza de que nem tudo que escrevo em versos sejam poemas, ou sejam dignos da leitura de ninguém. Como já disse, todo verso é uma tentativa de poema...


E para completar, aqui vão os versos, a partir da clássica pergunta: "No que você está pensando agora?"


Hoje eu não estou pensando em nada.
Hoje não quero pensar em nada.

Hoje, a última coisa que desejo é pensar...

...E caso o faça, será com a única intenção
De não pensar em coisa alguma...



Poesia? Naaaaaããooooooo!!! Muito bobinho!!!


Obs: A propriedade intelectual é mais minha ou do Facebook?!!!

5 comentários:

  1. Bacana, Dani! Bom mesmo! Fico feliz em ver que tem se dedicado (ou publicado) mais. O q escreve faz sentido pra mim... se gosto pq me toca ou pq entendo, vá saber. De repente só entendo pq me toca, só gosto pq entendo. Mas, no caso, as referências tb me satisfazem.

    Saudades da época em que tudo o que nos separava eram apenas algumas paredes e poucos passos.

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  2. Ah, pelo teor do conteúdo, acho q vai gostar de Slavoj Žižek.
    Beijo

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  3. Que bom que gostou, Sá. Estou me esforçando!!! Escrever para mim é uma necessidade mesmo! Fico feliz que tenha gostado, ou sido tocada pelo texto. Para mim, saber disso é uma realização e um grande estimulo para escrever sempre mais, por saber que pessoas inteligentes como você valorizam minhas esparsas idéias que tento sintetizar pro escrito!

    Também sinto saudades daquela época de alojamento... queria ter aproveitado mais esse lado bom de ter os amigos e amigas por perto; a possibilidade de se viver em comunidade, mesmo numa estrutura projetada para o isolamento...

    Mas minha linda, o que nos separa é apenas a barreira do pensamento! Quando morávamos lá, era apenas impressão sua que as paredes e os passos oferecessem alguma barreira...

    ;0!

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  4. Errei no smile:

    ;)

    hahahahhah!

    O outro ficou muito tosco!

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  5. Seu blog e excelente, seus textos também são ótimos, vou tentar me inspirar no seu blog para melhorar o meu, se quiser depois e só da uma olhada o link ta logo a baixo: http://derlandreflexivo.blogspot.com/

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