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"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?" (Fernando Pessoa)

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domingo, 30 de agosto de 2015

Escreva

Escrevi o texto a seguir como legenda da imagem abaixo, em um post no Facebook. Recebi bons elogios, e assim achei interessante postar por aqui. Espero que também gostem.
 




"A cura pela fala, de Jaques Lacan se aplica também à escrita. Isso já foi mais que comprovado. Ao escrever organizamos nossa mente, atentamos melhor aos detalhes, questionamos a nós mesmos o quanto sabemos de algo, ou não.

Sigam a dica do professor Clóvis de Barros Filho:
--Senta e estuda!

Mas aproveitem para de vez em quando sentarem e também escreverem (ou digitarem) sobre qualquer assunto que lhes interessem, ou mesmo sobre o que entenderam de uma aula ou vídeo do professor.
Pra mim, é na escrita que cristalizamos nosso conhecimento. Muitas vezes me dou conta do quanto não sei sobre tudo quando a necessidade de escrever me atinge.

Não precisa ser uma obrigação, como uma lição de casa. De vez em quando escrevo sobre coisas que li ou assisti meses atrás. Depois do texto escrito, se por acaso releio o texto ou assisto novamente o vídeo que foram minha fonte, percebo mais nitidamente o que não entendi.

A mente é um motor, e quando escrevemos a colocamos em movimento. Não existe uma doença à espera de cura. São as idéias, os sentimentos, as memórias perdidas que ocupam espaço excessivo. Escrever é esvaziar-se para abrir caminho ao novo.

Como disse algum sábio que ouvi por aí:
"Não dá pra encher um copo que não está vazio".

Parece algo muito óbvio e superficial, mas se pensarmos na mente como um computador ou celular travando por ter muitos softwares em execução, fica claro que para se conseguir trabalhar neles de maneira eficaz será necessário fecharmos alguns dos programas ou apps. 

Para abrirmos a mente é necessário nos livrarmos do excedente. Escrever é um caminho que costuma funcionar bastante, pelo menos pra mim."

Poeta Porto

domingo, 23 de agosto de 2015

Deuses da Ambição


Escrevi este texto no meu facebook, não tem muito tempo. Acho que vale a pena repostar ele por aqui:

Após dois dias cansativos, e intensos, mas repletos de alegria e bons momentos, hoje acordei com um sentimento antagônico de tristeza. Este poema do Vinicius reflete muito bem o que em palavras eu não muito bem descrevo:

"Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste..."

Vinicius de Moraes

O que me fortalece é o fato de a poesia olhar o mundo de pontos de vista completamente diferentes, e o verso do Pessoa, a seguir, resume muito bem a esperança que de algum momento para o agora me acalenta...

"E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha."

Álvaro de Campos

"O que há em mim é sobretudo cansaço"

Álvaro de Campos

Porém, este segundo verso do mesmo heterônimo resume muito melhor o que minha alma aflige. Não apenas um cansaço físico, mas muito mais um cansaço das entranhas da alma; um cansaço do medo do próprio erro, quando todo o universo me conspira ao acerto. Um medo de conseguir ser menor do que minha própria essência sugere, gerado pela insegurança de algum dever místico a se cumprir...

"E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão"

Renato Russo

Neste caso, toda minha força é confusão. Sou um Daniel na minha própria cova, porém cego para perceber a minha volta o que é cordeiro e o que é leão. Sou o sacrifício sobre a mesa em ritual; sou a oferenda para os deuses da ambição...

Poeta Porto

domingo, 16 de agosto de 2015

Treinar a Consciência...


Escrevi esse texto ao compartilhar a imagem abaixo no grupo do professor Clóvis de Barros Filho, no Facebook, o qual criei e administro:

"Para mim, treinar a consciência significa administrar nossos próprios instintos; domesticar nossa parte animalesca para que ela nos obedeça e adestrá-la para que quando necessário nos sirva. 

É não matar o dragão dentro de nós mesmos, como em tempos medievais, esse dragão que representa a mesquinharia e o egoísmo, segundo diz Joseph Campbell (Brasil/Portugal) em O Poder do Mito.
Pelo contrário, como nos diz o próprio NIETZSCHE em seu outro livro, The Birth of Tragedy, Dionísio é o dragão a ser domado. Dionísio é a força instintiva e animal, o prazer, o desejo, a fúria; é o excesso sem limites e sem freio que termina em nos destruir. 

Já Apolo é o deus da ordem, o deus comedido e certinho. O equilíbrio está não na batalha destes dois irmãos olímpicos tão antagônicos, mas em sua união.

A perfeição tanto na arte, quanto na vida, reside na busca inconstante de uma trégua entre estes dois polos. E no decorrer dos tempos vemos que a cada período histórico um dos dois deuses predomina. Seja no Barroco ou Arcadismo; seja no Parnasianismo ou no Modernismo. Sempre há uma busca de se compensar o exagero do período anterior. Hoje em dia podemos observar os mesmos ciclos em cada década musical do final do século XX.

Dominar a própria fera interior, não se coibir demais, nem viver 10 anos a 100 por hora estilo Rock n' Roll way of life. Algo que os orientais já dizem há muito mais tempo, mas nós no ocidente não damos muito ouvidos..."

Poeta Porto

Obs: Posso estar errado na maioria de minhas conclusões acima, tem muito tempo que li e conversei sobre estes temas. Por isso espero feedbacks e correções, acréscimos e opiniões. Essa é a função de um grupo onde o conhecimento é o que se busca: trocas sem egos exaltados nem mentes fechadas é o preferível. Sempre há chance de estarmos errados quanto àquilo que mais acreditamos ser a única verdade possível.