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"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?" (Fernando Pessoa)

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"Uma vez amei, julguei que me amavam,  Mas não fui amado.  Não fui amado pela única grande razão --,  Porque não tinha que ser. Consolei-me voltando ao sol e à chuva, E sentando-me outra vez à porta de casa. Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados Como para os que não são. Sentir é estar distraído."   Alberto Caeiro

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Rádio Porto (Ainda Fora do Ar)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Homo Interneticus - A Revolução Virtual (BBC)


Esbarrei com esse programa no canal ManegementTV, e fiquei maravilhado! Minha intenção nesse post não é aprofundar a discussão, ou fazer uma análise do programa, pois ele é bastante auto-suficiente... Achei até denso demais, principalmente este quarto episódio, Homo Interneticus, de tal maneira que assisti-lo por inteiro, de uma só vez, foi bastante paradoxal... Ao mesmo tempo que ele te instiga a pensar, ele não te dá tempo para digerir! Foi uma hora de extremo prazer, reflexão, mas ao mesmo tempo me consumia uma vontade de que minha tv a cabo fosse do estilo HD, para que eu pudesse pausar e respirar qualquer outra coisa!

Infelizmente, não encontrei uma versão legendada, o que exclui um pouco as pessoas que não possuem um nível razoável de domínio da língua inglesa -- mas também não procurei tanto, não tive paciência! -- Por isso, acredito que caso algum leitor inseguro de seu inglês decida vasculhar mais a fundo o tio Google, é possível que talvez encontre. para aqueles que tem um domínio razoável do inglês, não se intimidem... A pronúncia britânica está bastante audível, ninguém fala com aquela correria americana... Acho que além do assunto ser tão rico e variado, as pessoas não muito treinadas poderão aproveitar a oportunidade pra treinar e testar sua audição na língua inglesa... 

Possivelmente eu entre em alguns tópicos do programa em posts futuros... Para quem tiver o canal em seu pacote de Tv por assinatura, fique de olho na programação... legendado é sempre mais tranquilo pra qualquer um! 
Tenham o prazer de ficar de boca aberta com tantas verdades reveladas sobre a internet e sobre o ser humano!!! Divirtam-se:












Bem melhor que "A Rede Social", concordam?

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Legado

LEGADO




"Quando, por uma lei das supremas potências,
O poeta se apresenta à platéia entediada,
Sua mãe, estarrecida e prenhe de insolências,
Pragueja contra Deus, que dela então se apieda:

"Ah! tivesse eu gerado um ninho de serpentes,
Em vez de alimentar esse aleijão sem graça!
Maldita a noite dos prazeres mais ardentes
Em que meu ventre concebeu min ha desgraça!"

Charles Baudelaire




Proves que és bom ao mundo.
Talvez passe teus anos batalhando por respostas
Do porque teu reconhecimento não ressoa dentre os teus.
Não aguardes pelo nada.
O mundo valoriza os que tem sorte, apenas.
Em vida, poucos receberam aplauso em seus terrenos.
Em toda história os melhores faleceram ainda mortos...
Espere que a década após tua morte a ti acenda.
Como um gênio à frente e reprimido por seu tempo,
Não te entristeças. Poucos reconhecerão que tua glória
Habita teu semblante oculto em este desprezo,
A que recebes por ser visto em carne e osso
E não fóssil intocável em uma estátua de poemas.
Alguns se tornam deuses mitológicos
Por culpa de outrem dizer-lhes sejam;
Carregam esta estampa vida afora:
Sorrisos amarelos que os condenam
A serem prenda branca, enfeite em sonhos tortos,
De tolos que em ração de ratos se alimentam.
Não ouses, não corras atrás, não valem penas...
Somente sejas...
Que os outros não vejam-te por serem meros pregos
Que aos olhos dos morcegos sangram presos.
E à vista do sucesso que há em ti, cego,
Se doe sem revolta em querer prêmios.
Abdique-se de si, nunca de tua obra...
Construa teu castelo de serenos.
Os mortos gozarão de tuas sobras,
As cobras zombarão de teu empenho. 
Viva como pouco, seja o pouco que ignoras.
Morra como um deus sem seu sustento.
O mundo te abandona, cruxifica o nobre intento.
Que a terra coma as páginas, que não às vele o vento;
Que não às leiam as rodas, que não às rasgue o templo...


Porto

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Perdão



Encontro-me agora aqui no meu quarto organizando coisas, objetos, passados, pessoas... Deparo-me com algumas peças de roupa que no intervalo de um ou dois meses tiveram o duplo papel de me fazer sentir amado, bem quisto e cuidado, por alguém que atravessou minha vida como um raio que em si trouxe a energia que nela faltava; mas que ao mesmo tempo sobrecarregou os meus nervos e fez entrar em curto o tempo que aparentava pretender comigo conviver... Enfim, objetos carregam energia, nisso eu acredito. Mas até que ponto somos nós que progetamos tal energia, e estes simplesmente nos refletem o que queremos ou precisamos sentir ao tocá-los ou vermos... 

Acho que as duas coisas acontecem. Recentemente senti um mal estar ao tocar um objeto de uma pessoa que conheço e que sei possuir muita negatividade dentro de si... uma negatividade destas perniciosas -- essas pessoas que entram na vida de outras como cobras sorridentes... Tal como dizem acontecer com os vampiros, não fui eu quem abri a porta para a Pandora não arquitetada por nenhum deus... Mas ali se encontra ela, enroscada na vida de um Epimeteu que se ilude acreditando seu sábio Prometeu... mas isso nunca foi problema meu, pois o veneno desta Dalila descabela sua vítima sem que o coitado nem sequer perceba... Como amigo, a gente pode no máximo alertar uma pessoa, mas quem pode impedir os loucos de arrancar os próprios olhos pra comer?
Enfim, não gosto de ficar falando em códigos, e meio pingo tá de bom tamanho pra quem quiser reler... Cada um tem sua vida, eu cuido cada dia mais da minha, fico triste em ver boas pessoas se deixarem perder por apego a alguns valores que acredito toscos... E foi dessa maneira que aprendi pelo sábio feed facebookiano, que o melhor jeito de ajudar uma pessoa que se acha foda é deixá-la em sua arrogância se fuder!

O que retratei acima foi apenas um exemplo de extrema negatividade que encontramos fácil nesse mundo. De pessoas assim, e de seus fantoches, devemos apenas nos afastar, mas nunca jogar o jogo delas, nem nos rebaixarmos a sua inexistência de nível... Acho que não devemos sentir raiva, nem desejar crueldades, e é aí que entra o grande cara: Jesus de Nazaré... "eles não sabem o que fazem..." Como dizem doutrinas tais como o Espiritismo: "o mau é a ignorância do bem". Por isso há gente que faz coisas absurdas, porque ainda não aprenderam a grande vantagem de receber o bem de volta do mundo...
Não falo com nenhum discurso de não-pecador ou através desses papos beatológicos... sejamos bons, esse é um alvo, cada um como conseguir ser capaz, e a grande questão começa na intenção. Mesmo quando falhamos, se ao menos tentamos, sentimos algum conforto.
Mas voltando às peças de roupa, há alguns meses mal conseguia olhá-las... uma tristeza abatia minha alma porque elas representavam o desabar de um bem feito por aquela pessoa que não bateu na porta e já estava sentada no meu sofá com o controle da minha vida sintonizado na novela do horário de jantar... Eu não buscava relacionamentos naquele momento, eu não tinha estrutura para isso, nem tenho, e nem ela tinha... mas como num pacto entre duas pessoas que colidem como rochas até então solitárias num vasto cinturão de asteróides, assinamos um contrato de olhar, que fotos justamente podem comprovar: poderia vir a ser amor... Mas a vida é feita de escolhas, e quando a realidade plausível abate o sentimento em prol do pé no chão, insustentável se torna querer manter, o lado forte, a corda dilacerada pela partida daquela que não ousou...

Foram precisos alguns meses para a vida retomar um novo rumo. Nunca achei que cresceria mais por ter perdido alguém. Eu não perdi, ganhei! Um dos poemas que escrevi nesse meio tempo retrata o quanto aquele amor, e outros que acreditei, me limitaram como homem, como pessoa e como poeta...
A cada dia sinto um maior conforto na alma, e apesar do susto de ter sentido tanto, vejo de longe como um verão bonito, e fui feliz... E graças a Deus acabou, pois senão eu talvez fosse hoje apenas aquilo que era ao lado daquela pessoa... e alguns podem até dizer: Dany, você sempre foi muito... mas eu digo, me comparando ao eu de agora: "Eu era pouco, e ainda posso ser muito mais, e sei que serei, pois a cada dia aprendo mais e mais a acreditar bem mais em mim".

Nunca devemos deixar nenhum sentimento nos limitar. Devemos amar ao próximo como a nós, ou seja, na mesma proporção, e eu me neguei demais achando que assim agradaria quem eu gostava...

Há cerca de uns dois meses meu desejo era entregar aquelas camisas, que recebi com tanto sorriso... ela fez questão de dizer que não aceitaria... minha raíva me impunha entregar de qualquer maneira, mas não o fiz, evitei esse desgaste... eu só queria que ela soubesse que prefiro usar trapos do que usar algo que alguém usou para me machucar por querer a todo custo negar um relacionamento que alimentou, e que por ser uma criancinha mimada de 30 anos, se achou no direito de dizer: enjoei, não quero mais, você que se dane... Mas tudo isso voltou para mim de maneira positiva.
Neste exato momento, ao tocar as camisas, sinto a maciez do sua expectativa ao me vê-las receber; a sua admiração ao perceber não ter errado o número, e que em mim vestiu tão bem... o seu orgulho ao andar do meu lado na rua, e ver as pessoas achando a cor e a estampa delas tão belas... foi essa a mulher que amei, e dela que recebi os presentes... é a ela que devo agradecer, apesar dela ter morrido em você... o que essa pessoa disse pra me ferir, que fique nas suas garras apenas... Hoje pretendo usar novamente as camisas, pois elas significam bem mais que isso tudo... significam que a única coisa que significa nada hoje em dia é somente você, moldura forjada por Hefesto, astúcia de Atena, veneno de Afrodite, idéia de Hera... e eu te aceitei como prêmio, cavalo de tróia mulher...
O que aprendi do perdão? Perdão para mim é esquecer... mas Deus nos concede o conforto de mantermos distância de quem não mais vibra em nossa frequência... muitas pessoas que amo e admiro saíram da minha vida... Sinto falta, saudade, mas esse é um momento de cortes e de renascimentos... meu ano Escorpiano acabou de brotar, e estou aberto para a vida nova... Perdoar é não desejar mau, não querer vingança, e não negar ajuda, atenção, carinho, amizade, se alguém que nos feriu bater nossa porta... mas não significa abaixar novamente a guarda nem confraternizar nos bares da vida como velhos amigos fingindo que nada aconteceu... Cicatrizes, amigo, são as tatuagens que não escolhemos, e sua beleza reside em nos lembrar de não repetir mesmos erros... Peço perdão e perdoo a todos que um dia feri ou de quem recebi más ações, de coração... Sinto meu ser muito mais leve! Obrigado senhor por me conceder o dom do perdão. É de verdade uma dádiva, uma bênção, uma grande consolação...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"A Flock of Clouds" Experimentação Poética (não-intencional) em Língua Inglesa...


Nota Introdutória (ui, genteee!!! Nota bandida!!!):
Amigos, o texto que segue é uma espécie de explicitação de como se deu a composição de um poema... Fica a critério do leitor escolher ler o poema antes ou após o texto... Sinceramente, não escrevi essa espécie de "prefacio" por achar que o poema não fará sentido sem que antes se leia o mesmo... Não se trata de arte conceitual (eu acredito que não, quem sabe!!!). Aconselho que experimentem ler o poema antes do texto, apesar de eu mesmo tê-lo colocado no final... A escolha é de vocês!

Não é comum eu escrever poemas em inglês. Fiz isso poucas vezes na vida. Esse aqui nasceu de maneira estranha hoje, e o engraçado é que reflete um pouco das coisas que admiro em autores como o Joyce e a Wolf (dos quais até hoje não li quase nada, mas ouvi falar muito em textos e aulas de literatura inglesa). Da Wolf sei mais pelo filme "As Horas" e por uma ex dessas que marcam nossa história (e que me falava muito sobre esta autora), do que pelas leituras que fiz, e sempre me intrigou esse lance de fluxo do inconsciente. 

Bom, voltando ao poema que se seguirá, quem me conhece ou já leu outras postagens minhas, sabe minha posição com relação a vanguardas e experimentações artísticas... acho legal na minha poesia que até mesmo o que me incomoda, por ser feito de maneira vazia na maioria das vezes, acaba se manifestando através de minhas próprias mãos, quando menos espero... tem horas que me vejo fazendo algo meio pós-moderno, mas com a consciência de que posso ser mais que isso... e esse é sempre meu objetivo!
Uma época atrás, quando conversava muito com  um amigo meu (que tem ojeriza ao Concretismo) com muito mais freqüência, acabei me sentindo influenciado demais pelas opiniões dele... como eu nunca tinha levado literatura a sério na escola, eu era uma esponja vazia que absorvia fácil o que ele dizia... mas sempre tive bom senso, e nunca aceitei nada que não tivesse um bom fundamento argumentativo. E esse meu amigo argumenta muito bem... mas ai, acabei tendo que estudar coisas como concretismo na faculdade e, realmente, vi muita besteira, ainda mais com essa coisa de morte ao verso. Fala sério... então porque foi feito o avião vamos destruir todos os carros? Porque inventaram o celular destruiremos todos os orelhões? não acho que seja assim. Acho que na arte se dá algo parecido com a evolução na natureza e nas línguas, diferentes perspectivas competem entrem si, sejam dois vocábulos ou borboletas de cores diferentes, até que um dos dois lados chegue ou não a sucumbir; e ás vezes são muito capazes de sobreviver os dois em harmonia, revezando-se no mesmo habitat ou em situações linguísticas diferentes. Vejo na atitude do discurso dessa galera uma infantilidade braba! Bom, mas quem sou eu pra falar algo, não sou nenhum crítico de arte, nem almejo ser, sou só um cara com consciência do próprio bom gosto, e que não o impõe a ninguém como verdade absoluta, mas que sente-se a vontade em manifestá-lo e defende-lo. Enfim, essas discussões não levam a lugar nenhum, e eu mesmo fiz minhas experimentações concretistas, que ficaram muito razoáveis (pra não dizer uma merda!), e eu tive certeza que Concretismo não é pra mim, e que se alguns "poetas" atuais tivessem bom senso, saberiam não ser pra eles também, no máximo pro Ferreira Gullar, que foi o cara que inventou essa porcaria mas que caiu em si e acordou pra vida... imagine só se ele se limitasse a isso, que grande poeta se teria perdido! Bom, não foi de tudo ruim o que fiz de "Concreto", tem umas paradas legais, mas não vejo como poesia aquilo, e sim, um troço meio doido que pode ou não ser divertido!
E assim, voltando de fato ao poema, me peguei esses dias num ponto de ônibus a ver nuvens baixas passeando pelo céu, devagarzinho... e o seguinte verso em inglês veio como uma música em minha cabeça:



"a flock of clouds in my sky migrates
                                                            Porto




Não exatamente assim, porque demorei pra escrever e deu tempo pra tentar melhorar um pouco. Eu nem conferi se migrar em inglês é assim mesmo, mas não ligo mesmo pra esses detalhes. Daí, agora há pouco achei o verso junto com outros órfãos iguais a ele, e tentei pensar numa maneira de desenvolvê-lo... mas o coitado é o único em inglês, então ficou muito mais deslocado em relação aos outros... Como já disse em algum lugar, não gosto de fazer poemas "frankstein", ou o verso desenvolve, ou fica daquele jeito... mas a galera que escrevi meio solta recentemente parece ter uma relação, e talvez eu tente juntar eles num poema só... 
No caso desse poema que fiz hoje, o engraçado é que o verso em inglês deve ter contribuído apenas com a musicalidade, e sempre me incomodou quem escreve só por musicalidade!!! Quem sabe o poema não seja, na verdade, também uma crítica, ou resultado de implícita e simples provocação?




This is Not a Poem

Nothing but a bunch of verses
This is not a fraud
Nothing could Freud explain
Nor the cloud above can see


These are only words
Gathered with no purpose
But to tell any reader
they're together here


Sorry if you wasted your time
I warned you in the title above
This was not meanty being a poem
Only words that try not make scenes
Sins that thoughts can not alone conceive


If you got here, don't get angry, you'll understand...


Maybe it could be a drawing
My inconcious brain was trying to crave
Don't know if it accomplished its task
But I can see some holes between complaints
That in the first time were not intended...


This is not a poem
Just a bunch of words
That can no thing say...


Porto.






Poema Concreto do Gullar:






quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Etiqueta e(m) Redes Sociais como o Facebook

Tenho o apelido de ogro não é a toa!!! Desde novo coloquei-me numa postura de rebeldia quanto a essa coisa de seguir padrões... resumindo, nunca fui muito fã de regras que para mim não faziam sentido, principalmente coisas que podem ser colocadas em manuais, por exemplo isso que se chama etiqueta!!! dava-me ansia de vômito só de ouvir falar! Isso me lembra uma tia tentando me explicar a função de cada peça numa mesa de jantar chic! Até hoje não aprendi, e Deus queira que nunca precise saber, pois certamente farei vergonha, e não me importarei nem um pouco com isso!!!

No entanto, a experiência nos ensina que toda sociedade necessita de algumas regras de convivência. O maior equivoca esteja talvez no fato de acharmos que somos "obrigados" a segui-las, porque a sociedade nos exije... Não vejo dessa maneira. Para mim funciona muito mais como uma espécie de pacto. Eu tenho consciência de que tal atitude é desagradável, não quero passar por certos constrangimentos, dái, faço a escolha de me portar de uma maneira politicamente correta em busca de uma harmonia com minha comunidade, e assim receber, pelo menos, algum respeito reciproco. Aquelas regras que não fazem sentido, se me sentir ultrajado em meu livre-arbítrio, sinceramente, defeco-e-transito para tais... Estarei sempre aberto à críticas e argumentações, mas que consigam convencer-me, senão, deixarei meu rastro pelo chão...
Durante muito tempo limitei-me ao Orkut porque achava desnecessário estar presente em várias redes sociais que não pareciam ter grande diferença umas das outras... Porém, há cerca de dois anos, quando comecei a tentar divulgar o trabalho artístico do meu tio, Lau Pinheiro, acabei por conhecer mais detalhes de algumas redes como o MySpace e o Facebook... Sinceramente, o Facebook tornou-se um vício maior ainda do que o Orkut foi para mim em 2004!!! E acho que isso se aplica a grande parte das pessoas que se iniciam neste limbo!

O mais legal para mim no Face é esse lance de você poder acompanhar o feed de notícias... antes havia o scrap do orkut, mas era necessário entrar na página de cada amigo para saber as novidades. O orkut até tentou copiar isso, mas ficou uma merda as "atualizações" dele! Outra coisa é poder comentar cada atualização. No orkut só podíamos, no máximo, responder um scrap com outro scrap; você tinha que ir no perfil da pessoa para ver as fotos, e mesmo quando apareciam nas atualizações, ainda assim, precisava ir até a página dela para deixar algum comentário... É claro que me refiro ao Orkut antigo, porque esse novo me deu tanto nojo, e é tão mal feito... quando tentei usar reparei que em algumas partes do site, mesmo usando a versão nova, você era redirecionado para a versão antiga... ou seja, atualizaram pela metade, ficou meia-bomba pra carvalho!!!

Outra coisa genial do Facebook é a função "like", que traduziram toscamente como "curtir", parece minha mãe falando de chá de alho no seu resquício de mineirês: "Deixa o alho curtir bastante pra bisorvê mais o efeito dele e curá már rápido"!!! Nossa, às vezes adoro uma coisa, mas não tô afim de comentar, ou não sei traduzir o efeito que uma música, um vídeo, uma foto me fizeram... Por isso faço questão de demonstrar isso dando um like na parada! No ano passado, quando comecei a usar o Face mais, para mim o mais divertido era ver o que a galera postava, e interagir com aquilo... Adicionei amigos de amigos assim muitas vezes.  Mas , ao contrário disso, percebi que algumas pessoas portam-se de maneira diferente daquela que demonstram quando conversamos pessoalmente. Algumas passam uma imagem de serem extrovertidas, legais, se você as encontra numa chopada, ou na Lapa, mas via internet soam ser um pouco frias, ou indiferentes... Não me parece coisa de personalidade na maioria das vezes, por isso, chego a cogitar que seja falta de hábito, ou até distração! Quem sabe?
Bom, como disse acima, não gosto de regras nem de obrigações, mas acho que em um local como o Facebook, não custa nada mais que um clique demonstrar aquilo que se pensa... Por isso existe a etiqueta que entendo fazer sentido, aquela que diz quais as regras de convivência em determinado ambiente, que cada um deve seguir ou não de acordo com seu comprometimento com esse ideal de harmonia... 

Vejam o paradoxo: várias vezes ao encontrar algum amigo facebookiano pessoalmente, acabamos por falar no assunto... ai, a pessoa diz, pô, adorei o vídeo que você colocou; aquela foto ficou legal, etc. E ai me pergunto: porque não comentou? Porque não deu um like? isso é uma questão de feedback... Muitas vezes escrevo poemas e ninguém diz nada, ou sempre as mesmas pessoas, que compartilham da mesma postura que eu nessa rede... e sempre depois alguém diz o que achou... ou seja, as pessoas leem muito mais o que escrevemos do que nós mesmos imaginamos... Porque será que não demonstram ali? Bom, deve haver várias respostas, mas eu acho um disperdício de oportunidade de trocar energia positiva, sabe, é ver que algo que escrevemos recebe vários likes!!! Faz bem pro ego, mas a maioria desses likes são silenciosos... é como se numa eleição que eu fosse candidato todos que dissessem que iriam votar em mim não aparecessem no dia de votação!!!! Não que seja uma questão de satisfação pessoal apenas, mas é bom saber quais de seus amigos, ou conhecidos, admiram seus pensamentos, suas idéias e seus gostos...

O que me deixa um pouco decepcionado, é que mais uma vez aqui se repete a tendência humana do século XXI de se ser Maria-Vai-Com-As-Outras... Acho uma idiotice e falta do que fazer essas atualizações do tipo: vou tomar banho, to indo no mercado... mas se for alguém popular, ou famoso, são milhões de likes e comentários... as pessoas gostam de se expressar onde não serão ouvidas, onde ninguém com certeza as responderá... E ainda tem aquele besteirol do "boa noite a todos"... vai pra m... quer me dar boa noite, liga pra minha casa! 
Quando faço tais críticas, não é porque deseje transformar o Facebook num lugar organizadinho, cheio de podes e não-podes, mas porque observo que mais uma ferramenta de comunicação importante é insuficientemente utilizada... Repetimos o mesmo padrão da televisão, da mídia como um todo, num ambiente onde o excesso de liberdade nos induz a nos perdermos... A internet proporciona a todos nós produzir conteúdo, mas isso não significa que todos estamos aptos ou qualificados para isso... O que vejo em todo âmbito on-line é cada vez mais e mais poluição de informação... isso ofusca, esconde, o que há de qualidade na rede, em todas as áreas... todos queremos gritar, mas nem sempre temos um bom assunto a disposição! É a velha dica da vovó, se você não tem nada bom para dizer, fique quieto meu filho! mas acho que também tem a haver com essa coisa de a gente querer fazer parte, e as redes sociais são a ferramenta de inclusão do momento, como eram coisas como jogar volei na escola no passado, ou ter acesso a tais roupas caras, etc... todos queremos ser aceitos, e quem não põe uma frase feita, ou usa um aplicativo idiota de perguntas sobre os amigos, se sentirá excluso da brincadeira!!!
Não tenho esperanças de que mude, não tenho esperança de que muita gente leia esse texto... sou só mais uma voz que tenta destacar-se em seu silêncio... Se alguém gostou dessa budega, comente, divulgue!!!! Acho que tem um botão de like em algum lugar ai embaixo... dá seu jeito!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Adeus Frangão (Padrinho Orlando)


Padrinho, Orlando Álvares, espero que o senhor esteja já nos braços da vovó Tita, e que todos que amam o senhor ai do outro lado, o estejam recebendo com alegria equivalente a tristeza que temos aqui de sua partida... porém, tenho certeza que não é o fim, estaremos novamente juntos um dia, e seremos sempre e cada vez mais amigos... obrigado por tudo que fez para me ajudar, mesmo que às vezes o senhor não tivesse ciência de que nem sempre o que achamos ser o melhor para os outros esteja correto... mas tenha certeza, na maioria das vezes, o senhor acertou, porque muitas vezes não temos consciência de que o que achamos ser o melhor para nós seja exatamente aquilo que nos dizem quem verdadeiramente nos ama...

Obrigado por tudo. O senhor foi meu segundo pai nesta terra... Valeu muito a pena morar aqueles dois anos com o snehor e com vovó... cresci muito como ser humano e como pessoa, e tive o prazer de descobrir muito mais qualidades no senhor, do que os defeitos que o senhor insistia em escolher mostrar... Obrigado, abenção, querido Frangão... Siga sua jornada, e agora, tenho certeza que você sabe que estava enganado... nunca acaba...


Para homenagea-lo, aqui vão alguns dos vídeos mais legais que gravamos juntos: fique com Deus, e agora, com certeza, estais muito mais próximo dele do que todos nós... Vá em paz, amigo!












sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rádio Porto OnLine!!!!

Após milênios de tutorias sobre stream e rádio web, finalmente minha rádio está tocando no blog... espero que curtam!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Meu Coração!

Após um tempo sem inspiração, tanto para escrever no blog, quanto para exercer poesia, uma necessidade de expor minha alma inundou-me... Seguindo o que li quanto a direitos autorais em blogs, não me intimidarei de publicar aqui o que acabo de escrever...


Meu Coração

Meu coração,
Barco ao vento,
Embalado pelo alento
Das lacerações do amor.

Meu coração,
Sem capitã,
Navegado pelas mãos
Das paixões de cobertor.


Meu coração,
Pirata e assassino.
Sem nação e sem domínio,
À procura de um tesouro:
Um sorriso nas manhãs...


Meu coração:

Sangue frio;
Pó,
Atirado ao mar na aurora;
Naufragado em dessabor...

Sem cor a ação...
Sem flor: razão.


Meu cor-
po dói, clama...
Minha alma não mais chora,
Se engana.


Oh, coração...
Mestre das desilusões...
Clichê da poesia...
Só te entende quem te nota
Quando tua dor se estende,
Quando teu semblante esfria...

Tolo, sempre volta.
Sempre pronto outra vez,
À espera do carrasco...
Na desculpa do prazer...

Meu coração!
Meu coração!


Se és meu, porque a tens dentro de ti?
Se a tens, e és meu,
Onde há ela fora a ti, que meus olhos inundados de tristeza não contemplam?

Onde há essa mulher que não existe,
Que insurge sempre em minha vida
Em corpos sensuais, em bocas doces, sedutoras?
Em peles que derretem-me a carne?
Onde há ela, fora todos os alarmes falsos da orgia?

Onde há?


Ah, meu coração...
Seja meu, esqueça-a...
Sou eu quem verdadeiramente ama-te...

Bata por mim, só por mim.
Viva! Pois viver a esperar por ela,
É matar a mim e a ti...


Esqueçamos, esqueçamos da mulher que nunca veio...
Esqueçamos do amor que jamais teremos...
E vivamos!
Sem esperança e sem carinho,
Mas vivamos, contetemo-nos com isso...


O amor pra nós não existe.
O amor não serve a ti...

Meu, Meu, Meu!


Meu coração!

Porto (Escrito em 15/01/2011)

domingo, 31 de outubro de 2010

Impromptu-Poems for Facebook-profile duo

Este post é o resultado de uma aventura poético-cibernética! 
Minha experiência com experimentalismos é diária! Vejo a poesia dessa maneira, uma constante criação; o advir de um sempre inesperado novo. No entanto, se tomarmos por comparação Arte e Ciência -- já que experimentar está diretamente ligado a uma concepção empírica, ou seja, tentativa e erro -- é evidente que pelo menos 99% do que é feito nos laboratórios, por não ter "proveito" científico, é descartado por não satisfazer os anseios de quem ali trabalha buscando seus objetivos. É claro que não vejo arte como algo utilitário, que necessite ter uma função qualquer. Para mim uma obra de arte precisa conter alma: um misto de inteligência intrínseca e transcendentalismo...
Acredito que um equivoco da "arte-moderna" seja achar que só porque algo é original (ou diferente, ou quem sabe até, bizarro --  sem qualquer preconceito...), tal coisa torne-se automaticamente arte. 
Bom, Duchamp fez uma exposição de arte usando latrinas... ele teve uma sacada de mestre, questionou o que seja arte, fez algo que ninguém tinha feito até ali... O problema é que basta alguém ser original para que todos se prontifiquem a querer copiá-lo!!! Ficou sub-entendido que a partir de então qualquer coisa exposta em um museu ou galeria possa se considerar arte, e é o que grande parte dos teóricos defendem. Eu, porém, sinceramente, não me sinto informado o suficiente para debater tais questões, mas fico bastante frustrado quando vou a uma exposição onde embalagens de produtos de uso doméstico, dispostas sem qualquer critério aparente (digo aparente, porque sem manual de instruções é quase impossível apreciar qualquer arte nos termos "ultra-pós-frescuroticos-modernos!), são veneradas como obras primas, ou um quadro com um rabisco que mais parece uma marca de leite da lambida de um cachorro é vendido por milhões (e se fosse mesmo do cachorro, o dono dele certamente ficaria rico!!!).
Quero deixar claro que não condeno quem faça arte desta maneira, eu apenas a não entendo!!! Mas também não sou tão antiquado assim!!! Durante um tempo, estudei com uma das melhoras professoras de Teoria Literária que já conheci, Ana Alencar, as oficinas literárias surgidas na Europa e nos EUA nas décadas de 60 e 70. Uma das que mais me chamou atenção foi a francesa OuLiPo. A principal idéia defendida por eles é que uma dificuldade nos impõe a necessidade do esforço. Assim, se eu limito meu campo de possibilidades no meu projeto literário, eu acabo por me obrigar a buscar alternativas no processo de criação; alternativas às quais eu talvez não recorresse se não me paltasse por tais limites.


Como disse, experimentar para mim é diversão, antes de tudo. O resultado é sempre algo inesperado, e às vezes temos confiança de que algo tenha chance de dar certo. Só a partir daí sinto-me seguro para publicar, para arriscar chamar de arte, o que também tem relação com meu post da semana passada sobre a diferença entre poemas e textos em verso


Falando na semana passada, toda essa introdução serve para eu falar sobre uma experiência muito interessante que tive nos recentes dias com relação a criação literária. O mundo atual nos permite inspiração de maneiras antes inimaginadas... Isso não é novidade, muita gente já faz coisas assim há bastante tempo no mundo virtual, mas eu ainda não tinha experimentado algo desse tipo. Ao ler meu feed do Facebook, encontrei uma atualização de minha amiga Karinna Gulias:
As palavras me chamaram atenção, acho legal esse lance de anagramas. Achei engraçado a repetição do nome "Laura", o que fez surgir a seqüência de comentários:

Resolvi então usar o aplicativo também, e meu resultado foi este:
Em seguida, a Karinna comentou meus anagramas também, e daí tivemos a idéia de elevar o nível da parada:
(Si ligaru nu "meliguei"?!!!)

Começou como uma brincadeira, mas a gente viu que tava ficando legal e cada um ficou responsável por uma estrofe que tivesse entre 2 e 4 linhas do anagrama... nada determinado, a gente fazia e deixava pro outro... e como o anagrama referia-se ao meu nome, ela deixou o final para mim... a construção completa do poema está no meu mural do Facebook, com todos os detalhes de nossa construção!!! O resultado final colei aqui:



Pride was sold on a lot of iron, which led a pot 
To pinpoint about what it led by the root
Or led it to die in Rio with a lent pot
And ride a horse on a plot against Thomas Reid
Who was on a plot to make Led Zeppelin recycle tin for the poor

Have lots of pride to fill pots to the root
Led pins to die in a ride by the moon
Like a tin poor plot in Rio I was soon
We are not on top, neither we're idles
Nor Idos of suns...


By Karinna Gulias and Porto 
(Based on the results from Porto's name on the Facebook's App "Anagram My Name!")


Gostamos muito do resultado, e eu não poderia deixar de começar o poema com o anagrama da Karinna, que terminou deste jeito:



A silk again runs
From her kin's sung ink
Laura's in sin with a king.

Laura signs a kin's testimonial
with a heaven's sign ink.
Lanka* of gun's iris
holding the urn of again silk.

Laura immersed in urn of silk
Laura's silk worn in threads of sin
Sin lurking in shadows of love to her king.

Again lurked in sin, Laura
by her kin slurred again.

*Lanka: sanscrito for island

(Based on the results from Karinna Gulias' name on the Facebook's App "Anagram My Name!")


Para mim foi uma experiência mais do que gratificante. Eu e a Karinna nos propomos de aos poucos fazermos poemas a partir do resultado de alguns amigos, mas no momento tanto eu como ela estamos atarefados com outras coisas, e não podemos nos comprometer!!! A gente já até começou um com um de um amigo nosso do Facebook, e assim que estiver pronto publicarei aqui no Blog. Bom, de qualquer maneira, isso pode ser que se torne um projeto, quem sabe... vamos ver no que dá! Se alguém se interessar, use o app e deixe um comentário aqui com o resultado e algum contato... Um dia seu poema sairá!!!


Espero que tenham gostado! Ah, e esse título doido do post foi idéia da Karinna!!! E eu gostei!!!