Encontro-me agora aqui no meu quarto organizando coisas, objetos, passados, pessoas... Deparo-me com algumas peças de roupa que no intervalo de um ou dois meses tiveram o duplo papel de me fazer sentir amado, bem quisto e cuidado, por alguém que atravessou minha vida como um raio que em si trouxe a energia que nela faltava; mas que ao mesmo tempo sobrecarregou os meus nervos e fez entrar em curto o tempo que aparentava pretender comigo conviver... Enfim, objetos carregam energia, nisso eu acredito. Mas até que ponto somos nós que progetamos tal energia, e estes simplesmente nos refletem o que queremos ou precisamos sentir ao tocá-los ou vermos...
Acho que as duas coisas acontecem. Recentemente senti um mal estar ao tocar um objeto de uma pessoa que conheço e que sei possuir muita negatividade dentro de si... uma negatividade destas perniciosas -- essas pessoas que entram na vida de outras como cobras sorridentes... Tal como dizem acontecer com os vampiros, não fui eu quem abri a porta para a Pandora não arquitetada por nenhum deus... Mas ali se encontra ela, enroscada na vida de um Epimeteu que se ilude acreditando seu sábio Prometeu... mas isso nunca foi problema meu, pois o veneno desta Dalila descabela sua vítima sem que o coitado nem sequer perceba... Como amigo, a gente pode no máximo alertar uma pessoa, mas quem pode impedir os loucos de arrancar os próprios olhos pra comer?

Enfim, não gosto de ficar falando em códigos, e meio pingo tá de bom tamanho pra quem quiser reler... Cada um tem sua vida, eu cuido cada dia mais da minha, fico triste em ver boas pessoas se deixarem perder por apego a alguns valores que acredito toscos... E foi dessa maneira que aprendi pelo sábio feed facebookiano, que o melhor jeito de ajudar uma pessoa que se acha foda é deixá-la em sua arrogância se fuder!
O que retratei acima foi apenas um exemplo de extrema negatividade que encontramos fácil nesse mundo. De pessoas assim, e de seus fantoches, devemos apenas nos afastar, mas nunca jogar o jogo delas, nem nos rebaixarmos a sua inexistência de nível... Acho que não devemos sentir raiva, nem desejar crueldades, e é aí que entra o grande cara: Jesus de Nazaré... "eles não sabem o que fazem..." Como dizem doutrinas tais como o Espiritismo: "o mau é a ignorância do bem". Por isso há gente que faz coisas absurdas, porque ainda não aprenderam a grande vantagem de receber o bem de volta do mundo...
Não falo com nenhum discurso de não-pecador ou através desses papos beatológicos... sejamos bons, esse é um alvo, cada um como conseguir ser capaz, e a grande questão começa na intenção. Mesmo quando falhamos, se ao menos tentamos, sentimos algum conforto.

Mas voltando às peças de roupa, há alguns meses mal conseguia olhá-las... uma tristeza abatia minha alma porque elas representavam o desabar de um bem feito por aquela pessoa que não bateu na porta e já estava sentada no meu sofá com o controle da minha vida sintonizado na novela do horário de jantar... Eu não buscava relacionamentos naquele momento, eu não tinha estrutura para isso, nem tenho, e nem ela tinha... mas como num pacto entre duas pessoas que colidem como rochas até então solitárias num vasto cinturão de asteróides, assinamos um contrato de olhar, que fotos justamente podem comprovar: poderia vir a ser amor... Mas a vida é feita de escolhas, e quando a realidade plausível abate o sentimento em prol do pé no chão, insustentável se torna querer manter, o lado forte, a corda dilacerada pela partida daquela que não ousou...
Foram precisos alguns meses para a vida retomar um novo rumo. Nunca achei que cresceria mais por ter perdido alguém. Eu não perdi, ganhei! Um dos poemas que escrevi nesse meio tempo retrata o quanto aquele amor, e outros que acreditei, me limitaram como homem, como pessoa e como poeta...
A cada dia sinto um maior conforto na alma, e apesar do susto de ter sentido tanto, vejo de longe como um verão bonito, e fui feliz... E graças a Deus acabou, pois senão eu talvez fosse hoje apenas aquilo que era ao lado daquela pessoa... e alguns podem até dizer: Dany, você sempre foi muito... mas eu digo, me comparando ao eu de agora: "Eu era pouco, e ainda posso ser muito mais, e sei que serei, pois a cada dia aprendo mais e mais a acreditar bem mais em mim".
Nunca devemos deixar nenhum sentimento nos limitar. Devemos amar ao próximo como a nós, ou seja, na mesma proporção, e eu me neguei demais achando que assim agradaria quem eu gostava...
Há cerca de uns dois meses meu desejo era entregar aquelas camisas, que recebi com tanto sorriso... ela fez questão de dizer que não aceitaria... minha raíva me impunha entregar de qualquer maneira, mas não o fiz, evitei esse desgaste... eu só queria que ela soubesse que prefiro usar trapos do que usar algo que alguém usou para me machucar por querer a todo custo negar um relacionamento que alimentou, e que por ser uma criancinha mimada de 30 anos, se achou no direito de dizer: enjoei, não quero mais, você que se dane... Mas tudo isso voltou para mim de maneira positiva.

Neste exato momento, ao tocar as camisas, sinto a maciez do sua expectativa ao me vê-las receber; a sua admiração ao perceber não ter errado o número, e que em mim vestiu tão bem... o seu orgulho ao andar do meu lado na rua, e ver as pessoas achando a cor e a estampa delas tão belas... foi essa a mulher que amei, e dela que recebi os presentes... é a ela que devo agradecer, apesar dela ter morrido em você... o que essa pessoa disse pra me ferir, que fique nas suas garras apenas... Hoje pretendo usar novamente as camisas, pois elas significam bem mais que isso tudo... significam que a única coisa que significa nada hoje em dia é somente você, moldura forjada por Hefesto, astúcia de Atena, veneno de Afrodite, idéia de Hera... e eu te aceitei como prêmio, cavalo de tróia mulher...

O que aprendi do perdão? Perdão para mim é esquecer... mas Deus nos concede o conforto de mantermos distância de quem não mais vibra em nossa frequência... muitas pessoas que amo e admiro saíram da minha vida... Sinto falta, saudade, mas esse é um momento de cortes e de renascimentos... meu ano Escorpiano acabou de brotar, e estou aberto para a vida nova... Perdoar é não desejar mau, não querer vingança, e não negar ajuda, atenção, carinho, amizade, se alguém que nos feriu bater nossa porta... mas não significa abaixar novamente a guarda nem confraternizar nos bares da vida como velhos amigos fingindo que nada aconteceu... Cicatrizes, amigo, são as tatuagens que não escolhemos, e sua beleza reside em nos lembrar de não repetir mesmos erros... Peço perdão e perdoo a todos que um dia feri ou de quem recebi más ações, de coração... Sinto meu ser muito mais leve! Obrigado senhor por me conceder o dom do perdão. É de verdade uma dádiva, uma bênção, uma grande consolação...